Cachimbo Clube de Portugal on-line Editorial CCP
Edição do Cachimbo Clube de Portugal
A nossa verdade: o direito ao prazer
José Lopes - Presidente do CCP
Nos últimos tempos vimos assistindo, cada vez com maior intensidade, a uma violenta campanha contra os fumadores sob a capa da defesa da saúde pública e do bem estar das actuais e futuras gerações. Alegados estudos científicos, metem tudo e todos no mesmo saco. Esquecem que há uma diferença fundamental no risco entre quem inala e quem não inala o fumo do tabaco. Omitem os estudos que revelam que os fumadores de cachimbo tendem mesmo a viver mais tempo, que quatro ou cinco cachimbadas não conduzem a maiores riscos do que os que existem para a generalidade da população não fumadora. Esquecem,
sobretudo, que fumar cachimbo não é um vício, é um prazer. Um dos grandes prazeres da vida, como sublinharam Mark Twain e Albert Einstein. Um prazer que, com ponderação, proporciona o conforto mental, a calma, a redução do stress.

Calam também - essas mesmas "autoridades" sanitárias e estatais - que uma maioria esmagadora de fumadores de cachimbo não dependem da nicotina, tal como a maioria das pessoas que bebem vinho não são alcoólicas. Alguns dos que hoje já reconhecem que beber um copo de bom vinho ajuda a prevenir determinadas doenças, fecham os olhos quando lhes mostram velhos estudos que indiciam que nem todos os efeitos farmacológicos da nicotina são negativos.

Dizem, gritam, estampam em parangonas que fumar mata. Deviam, quanto muito, afirmar que fumar pode matar. Esquecem ainda o saber de experiência feito. Que o proibicionismo como política deu maus resultados. Que a juventude é avessa a tais receitas, e bem mais receptiva ao princípio "É proibido proibir", a uma pedagogia de verdade, à liberdade e ao conhecimento esclarecido.

O que "eles" não dizem é que, cada ano que passa, aumentam as receitas do Estado provenientes do tabaco, isto é, aumentam receitas à custa dos nossos impostos. O que "eles" escondem é que se assiste a um enorme incremento do contrabando de tabaco nas zonas fronteiriças. Chegam mesmo ao despudor, em alguns casos, de querer até controlar os produtos que podemos comprar com os nossos cartões bancários... O Estado ameaça-nos. "Para nosso próprio bem" - diz -, quer impor-nos uma forma de vida. Até o avôzinho antes apreciado pelas suas baforadas é agora olhado de soslaio...

Estamos na mira, pois há que proteger a saúde dos não fumadores. Acusam-nos de poluirmos o seu ar... Que os não fumadores (e os fumadores) habitem e trabalhem em edifícios mal construidos, insalubres, que debitam partículas que nos corroem por dentro, não lhes importa. É-lhes mesmo indiferente que continuem a funcionar e a abrir cafés, restaurantes, bares e discotecas mal ventilados ou sem quaisquer sistemas de renovação de ar. Nós dizemos que deviam era preocupar-se com sérias políticas de ambiente, para que não se agravem os problemas do planeta que habitamos. Que há que pensar a cidade e o urbanismo para que nas nossas ruas não sejamos intoxicados por milhares de automóveis permanentemente "engarrafados".

É verdade que somos uma minoria. Mas - tal como outras minorias - temos também o direito à diferença. Não somos párias, nem perigosos delinquentes.

Se as multinacionais tabaqueiras apostam já em novos produtos para criar outras dependências e defender os seus lucros, nós contrapomos: queremos fumar bom tabaco, com menos aditivos e químicos. Somos por fumar bem, fumar do melhor. Com moderação e, por isso, com prazer. Somos pelo respeito do outro, que é diferente de nós. Mas exigimos - também por isso - que os outros nos respeitem.

Não somos marginais, nem permitimos que nos culpabilizem.
Somos fumadores de cachimbo. Com muito orgulho.
Uma escolha que assumimos. Uma vontade consciente que faz parte integrante da nossa personalidade.

José Manuel Lopes
Presidente do Cachimbo Clube de Portugal


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