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Apesar de em Portugal não ser legalmente possível a venda de tabaco a granel, esse facto não tem impedido a criatividade do fumador português que ainda assim encontra forma de dar largas à sua criatividade e individualidade criando as suas próprias misturas através do casamento entre duas ou mais marcas. É desse aspecto que trata esta secção. Porque fumar cachimbo é também um acto social e é do intercâmbio de experiências que o nosso saber é feito, de forma absolutamente empírica, das misturas pessoais que nos forem dando conhecimento iremos dando a devida conta. Nem só a misturas de marcas estamos limitados. Quem criar as suas com base em tipos de tabaco é muito bem-vindo a partilhar as suas receitas. Nós damos o pontapé de saída com três modestas criações de nossa lavra.
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Admito que a parelha é estranha. Não seria suposto dois tabacos de cortes tão diferentes serem casados desta maneira. O que é facto é que, sendo resultado da primeira tentativa de buscar o "toque da baunilha", algures pela década de 80, quando não havia baunilhas no nosso mercado a experiência foi feita e, para mim, vingou. O Clan sendo um tabaco muito apreciado pelo rasto aromático que deixa, fruto da mescla de 14 tabacos diferentes entre os quais se contam Burley, Kentucky, Cavendish, Black Cavendish, Virginia, Perique, Turkish e Maryland, tem um pico na lingua que afasta a maioria dos |
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fumadores mais experimentados que o colocam normalmente na 2ª divisão. O Mixture 79 é descrito como um Burley cortadinho que cheira a root beer e sabe a sabão, cuja combustão exala o fino aroma de pó de talco. Surpreendentemente destes dois mediocres sai uma mistura que, fumada devagar, resulta a seu tempo muito aromática e agradável. |
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O Danish Truffles é um aromatico forte, resultado da mescla de Burley, Cavendish e Virginia, com um aroma de manadarina alicorado (dizem que é maturado com licor Benedictine), cortado em cubinhos. Seria óptimo não fora um senão, a sua temperatura de combustão. Atinge valores tão altos que nem pensar em desbastar um cachimbo novo com ele. Tentei uma vez e quase abria um buraco no fornilho. Resultado: tive de o desmultiplicar. A escolha recaiu num tabaco de semelhante |
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mescla mas com predominancia de Virginia, muito suave e quase sem paladar. O que um tem demais tem o outro de menos e destarte o casamento resulta perfeito. Ainda assim cautela na velocidade da fumada que deve ser lenta. O sucesso junto dos circunstantes é assegurado. |
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Se não gosta da Latakia não vale a pena continuar a ler. A mistura original era feita com Balkan Sobranie mas, à medida que fui apreciando mais e mais esta marca, comecei a considerar a heresia de a misturar com o que fosse e pus de parte tais práticas contra natura passando a utilizar o 965 da Dunhill. Trata-se o 965 de um tabaco perfeito para fumar sozinho. Não precisa desta mistura. A sua equilibrada mescla de Cavendish, Latakia e Oriental conferem prazer em qualquer fumada a solo. Porém, o forte aroma do Cavendish do Amphora vermelho confere a esta desmultiplicação, porque é disso que se trata, um bouquet diferente, um sabor redondo e um after taste prolongado, muito agradáveis. Sem perder a raça latakiana, que tanto apreciamos, ganha uma suavidade espantosa e a admissão dos companheiros de divisão. Com esta já ninguém se queixa de que «algo está a arder». |
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