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loja
lisboa
Cachimbos e bons conselhos
duarte
calvão |
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DN-José
Carlos Carvalho
especialista.
Fumador há mais de 30 anos, Filipe Calixto é o
proprietário |
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Não há nada que substitua
os conselhos que se podem ouvir numa tabacaria especializada em
cachimbos, sobretudo para os que estão a iniciar-se nestas artes.
Que peças escolher, acessórios necessários, como fumar, tabacos
apropriados, tudo isto são informações só ao alcance de quem tem um
longo convívio com o tema.
Em Lisboa, existia a saudosa Casa
do Cachimbo, na Av. Almirante Reis, onde pontificava Vasco Galvão,
que fechou as portas há cerca de três anos, restando a Havaneza, do
Chiado, como a única que vai cumprindo esse papel. Mas agora, com a
recente abertura da Sua Excelência, de Filipe Calixto, aqueles que
querem trocar o vício dos cigarros pelo menos nocivo hábito de
cachimbar (ou quem os quer dar de presente), encontram nesta morada
cachimbos artesanais italianos, que vão dos 30 aos 600 euros, e um
atendimento personalizado e conhecedor.
E se Filipe Calixto
não estiver lá, Maria Alice Almeida, que com ele trabalha há muitos
anos, apesar de não fumadora, saberá também dar preciosos conselhos.
«Foi há sete anos que apresentei o projecto para abrir a
tabacaria, mas como tinha que transformar este espaço, abrindo para
a rua, fiquei à espera de licenças camarárias, do Ippar, etc.»,
explica Filipe Calixto. O espaço é o da empresa SIPIL (Sociedade
Importadora de Produtos Ingleses, Lda), que o seu pai fundou em 1945
e que dez anos depois mudou para a R. Rodrigo da Fonseca, esquina
com a Joaquim António de Aguiar.
A firma dedicava-se, em
exclusivo, à encadernação, mas, em 1978, com a entrada de Filipe
Calixto, começou a representar marcas italianas de cachimbos.
«Eu tinha na altura 23 anos e já fumava desde os 16. Mais do que
o fumar em si, acho que o cachimbo sempre me fascinou como objecto»,
conta. «Comecei quase por brincadeira por cachimbos americanos, de
maçaroca de milho, e o êxito foi tal que convenci o meu pai a
representar marcas italianas de qualidade, que então não se
encontravam em Portugal».
Castello, Radice, Ser Jacopo,
Gasparini, Tom Spanu foram algumas das marcas iniciais, cujos
nomes correspondem a artesãos prestigiados. «Os cachimbos artesanais
italianos sempre me fascinaram porque, além de terem as melhores
madeiras do mundo (urze), deixam-na envelhecer sem estufagem e fazem
peças únicas», diz Filipe Calixto que, apesar de reconhecer que os
escandinavos, nomeadamente os dinamarqueses, também têm bons
artesãos, não tem grande apreço por marcas (principalmente as
inglesas) que fabricam cachimbos em série.
A essas marcas
iniciais, com o passar dos anos e muitas viagens por toda a Itália,
outras se juntaram, como a Brebbia, Don Carlos, Amorelli,
L'Anatra, Vipriati ou Cavicchi, de representação
exclusiva da SIPIL e que agora só se encontram na Sua Excelência.
Hoje, a firma, embora continue na encadernação, vive sobretudo da
importação de cachimbos.
coleccionadores.
Para Filipe Calixto, ele próprio detentor de mais de dois
mil cachimbos, quase todos os fumadores têm um lado de coleccionador
e haverá, em Portugal, pelo menos uma dezena que se perde quando vê
a perfeição de um «chameado» (com os veios da madeira em paralelo)
ou de um «olho de perdiz», de um desenho bonito, de anilhas em
prata, etc., etc. Topos de gama da Castello, por exemplo,
atingem centenas de euros, embora a partir de uns 150 a 200, já haja
óptimos cachimbos.
Mas nem só de cachimbos e seus tabacos
vive a Sua Excelência, havendo também charutos, cigarrilhas e até
cigarros. A loja ainda não está pronta, aguardando-se estantes,
sofás e cadeiras, para que haja um certo clima de convívio e
tertúlia.
Mesmo com abertura para a rua, a SIPIL continuará
sede provisória do Cachimbo Clube de Portugal, como acontece desde
finais dos anos 80, na parte dos escritórios. «Vou promover a vinda
de artesãos a Portugal, como já fiz na abertura com o Luigi
Vipriati, e outras iniciativas. Quero que os fumadores se sintam
aqui como em casa», sublinha. |
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