Terça-feira, 4 de Janeiro de 2005
Edição Papel
Director: Miguel Coutinho
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Lisboa
04.01.05
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loja lisboa

Cachimbos e bons conselhos



duarte calvão
DN-José Carlos Carvalho

especialista. Fumador há mais de 30 anos, Filipe Calixto é o proprietário
Não há nada que substitua os conselhos que se podem ouvir numa tabacaria especializada em cachimbos, sobretudo para os que estão a iniciar-se nestas artes. Que peças escolher, acessórios necessários, como fumar, tabacos apropriados, tudo isto são informações só ao alcance de quem tem um longo convívio com o tema.

Em Lisboa, existia a saudosa Casa do Cachimbo, na Av. Almirante Reis, onde pontificava Vasco Galvão, que fechou as portas há cerca de três anos, restando a Havaneza, do Chiado, como a única que vai cumprindo esse papel. Mas agora, com a recente abertura da Sua Excelência, de Filipe Calixto, aqueles que querem trocar o vício dos cigarros pelo menos nocivo hábito de cachimbar (ou quem os quer dar de presente), encontram nesta morada cachimbos artesanais italianos, que vão dos 30 aos 600 euros, e um atendimento personalizado e conhecedor.

E se Filipe Calixto não estiver lá, Maria Alice Almeida, que com ele trabalha há muitos anos, apesar de não fumadora, saberá também dar preciosos conselhos.

«Foi há sete anos que apresentei o projecto para abrir a tabacaria, mas como tinha que transformar este espaço, abrindo para a rua, fiquei à espera de licenças camarárias, do Ippar, etc.», explica Filipe Calixto. O espaço é o da empresa SIPIL (Sociedade Importadora de Produtos Ingleses, Lda), que o seu pai fundou em 1945 e que dez anos depois mudou para a R. Rodrigo da Fonseca, esquina com a Joaquim António de Aguiar.

A firma dedicava-se, em exclusivo, à encadernação, mas, em 1978, com a entrada de Filipe Calixto, começou a representar marcas italianas de cachimbos. «Eu tinha na altura 23 anos e já fumava desde os 16. Mais do que o fumar em si, acho que o cachimbo sempre me fascinou como objecto», conta. «Comecei quase por brincadeira por cachimbos americanos, de maçaroca de milho, e o êxito foi tal que convenci o meu pai a representar marcas italianas de qualidade, que então não se encontravam em Portugal».

Castello, Radice, Ser Jacopo, Gasparini, Tom Spanu foram algumas das marcas iniciais, cujos nomes correspondem a artesãos prestigiados. «Os cachimbos artesanais italianos sempre me fascinaram porque, além de terem as melhores madeiras do mundo (urze), deixam-na envelhecer sem estufagem e fazem peças únicas», diz Filipe Calixto que, apesar de reconhecer que os escandinavos, nomeadamente os dinamarqueses, também têm bons artesãos, não tem grande apreço por marcas (principalmente as inglesas) que fabricam cachimbos em série.

A essas marcas iniciais, com o passar dos anos e muitas viagens por toda a Itália, outras se juntaram, como a Brebbia, Don Carlos, Amorelli, L'Anatra, Vipriati ou Cavicchi, de representação exclusiva da SIPIL e que agora só se encontram na Sua Excelência. Hoje, a firma, embora continue na encadernação, vive sobretudo da importação de cachimbos.

coleccionadores. Para Filipe Calixto, ele próprio detentor de mais de dois mil cachimbos, quase todos os fumadores têm um lado de coleccionador e haverá, em Portugal, pelo menos uma dezena que se perde quando vê a perfeição de um «chameado» (com os veios da madeira em paralelo) ou de um «olho de perdiz», de um desenho bonito, de anilhas em prata, etc., etc. Topos de gama da Castello, por exemplo, atingem centenas de euros, embora a partir de uns 150 a 200, já haja óptimos cachimbos.

Mas nem só de cachimbos e seus tabacos vive a Sua Excelência, havendo também charutos, cigarrilhas e até cigarros. A loja ainda não está pronta, aguardando-se estantes, sofás e cadeiras, para que haja um certo clima de convívio e tertúlia.

Mesmo com abertura para a rua, a SIPIL continuará sede provisória do Cachimbo Clube de Portugal, como acontece desde finais dos anos 80, na parte dos escritórios. «Vou promover a vinda de artesãos a Portugal, como já fiz na abertura com o Luigi Vipriati, e outras iniciativas. Quero que os fumadores se sintam aqui como em casa», sublinha.
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